
O golpe mais forte estava ainda por vir: no período do recesso
escolar (30/12/15), como todo bom covarde que teme a uma boa reação, o ataque
mais cruel veio em forma da portaria 1169/15. Tal portaria ou “porcaria” traz o
desmantelamento da educação básica no Estado do Ceará, pois coloca em xeque
projetos educacionais como PPDT, PPCA e demais laboratórios, no momento em que
mais a classe trabalhadora carece da educação e do acolhimento aos seus filhos,
momento de crise financeira e aumento do desemprego, destruindo o sonho de muitos
de se qualificar para o mercado de trabalho.
Mas quem disse que os governantes se preocupam com a classe
trabalhadora e muito menos com seus filhos?
Estamos entrando no décimo quarto ano de governo petista,
período que podemos dividir em dois momentos para nós, trabalhadores, tivemos
ganhos parciais importantes (cotas, bolsas, etc) porém muito frágeis que agora
estão aos poucos sendo retirados. Governo que deu com uma mão e retirou com a
outra... É uma relocalização do modo de governo do PT, e o governo do Estado do
Ceará NÃO é diferente, pois Camilo Santana é do PT e não podemos nos esquecer
disto. Os ataques se dão de forma diferenciada dos governos do PSDB, mas ocorrem
ainda assim. Como todo governo que trai a confiança eleitoral dos
trabalhadores, esse tem como aliados sindicatos dirigidos por militantes do
mesmo partido do governador. Significa
que em ano eleitoral como 2016 NÃO podemos ignorar esse outro detalhe
importante, ano que não vão querer “sujar” seus governantes em nome da
governabilidade e do processo da disputa eleitoral que ocorrerá daqui a alguns
meses.
Por isso não vamos nos iludir. Quando o sindicato senta
apenas com o Secretário de Educação do Estado e se nega a conversar com sua
base, ou desmonta a portaria para negociar ponto a ponto, estamos diante de uma
aceitação da portaria ainda que de forma indireta. O sindicato silencia diante do
Reajuste Zero (só a reposição da inflação segundo o DIEESE é de 11,68% e a
própria Lei do Piso indica reajuste de 11,36%), divide os trabalhadores entre
CEJA’s e do ensino regular pra enfraquecer a luta, e pra completar, organiza
reunião com o governo e apenas os gestores para dividir mais e mais.
Uma portaria que ATACA A TODOS deveria servir para UNIR A
TODOS.
Professores de todas as modalidades sofrem com ela, professores em
situação de efetivos ou de contrato temporário (todos demitidos) também pagam
caro por essa mudança, e os gestores ficarão com sobrecarga de mais e mais
tarefas administrativas e pedagógicas. Quanto aos estudantes? Esses serão
afetados com uma escola menos inclusiva e carente de projetos que possibilitem
um interesse ao estudo. Como veem o ataque segue a todos da escola, seja
capital e interior, seja que modalidade for e nada mais justo que a LUTA por
negar essa portaria se dê com um calendário de mobilizações que agitem a falta
de compromisso dos governos nacionais e estaduais com a educação pública.
Construir a luta e forma UNIFICADA para que não haja nenhum
professor a menos e nenhum projeto educacional seja abandonado. Eis nosso
caminho!